Coisa de louco

Poema em prosa concebido em Campinas [SP/BRA] 1988-1989

Argollo Ferrão, A. M. de (1988-1989). Coisa e louco [web]. Disponível em <http://argollo.org/tri/tri1/tri1-136/>.

isbn 978-85-908725-1-1 / Publicado em 2008

Argollo, A. (2008). Coisa de louco. In A. M. de Argollo Ferrão (Ed.). Ver a Cidade (p. 112). Campinas [SP/BRA]: O Autor.

ISBN: 978-84-936996-0-4 / Traduzido para o espanhol e publicado em 2009

Argollo, A. (2009). Cosas de locos. En A. Argollo. Ver la Ciudad. Un guión poético con ojos de veracidad (p. 184) (Colección Caravasar) (M. A. Suárez Escobio, Trad.). Gijón [Asturias/ESP]: CICEES. (Original en portugués publicado en 2008).

Videopoema Publicado em 2025

Argollo, A. [Arquitetura do Café]. (2025, 20 julho). Coisa de louco [Vídeo]. YouTube. https://youtu.be/HO2UtkeoYRQ

Coisa de louco

Estou à espera do acontecimento que fará mudar o rumo das coisas. Do jeito que as coisas vão, o mundo não tem solução. As coisas, cada vez mais coisas (recuso-me a procurar uma palavra para caracterizá-las), são “coisas de louco”. Os noticiários só nos trazem “coisas de louco”: muito sangue, muita dor, muita coisa errada. Dizemos: — “Coisa de louco!”. Mas por que “de louco”? Quem são os loucos? Quem são os sãos? Há muita fome, muita destruição, muita violência nesse mundo cão. E os loucos, quem são? Quem são os sãos? Completamente são, são poucos: os loucos. E dizemos que não! Há muito desespero, muita miséria, muita maldade, há muito choro e ranger de dentes. Isso está um inferno! E acho que é isso mesmo. Mundo louco! Você acha pouco? Mundo imundo. Quer mais? Mundo cão. A Terra é bela mas o ser humano não. Quem estraga é uma praga. Coisa de louco!

Cosas de locos

Estoy esperando el acontecimiento que habrá de cambiar el rumbo de las cosas. Del modo en que van las cosas, el mundo no tiene solución. Las cosas, cada vez más cosas (me niego a buscar una palabra para caracterizarlas), son “cosas de locos”. Los noticiarios sólo nos traen “cosas de locos”: mucha sangre, mucho dolor, mucha cosa equivocada. Decimos: — “¡Cosas de locos! ¿Pero por qué de locos? ¿Quiénes son los locos? ¿Quiénes son los sanos?ay mucha hambre, mucha destrucción, mucha violencia en este mundo perro. Y los locos, ¿quiénes son? ¿Quiénes los sanos? Completamente sanos, son pocos: los locos. ¡Y decimos que no! Hay mucha desesperación, mucha miseria, mucha maldad, hay mucho llanto y crujir de dientes. ¡Esto parece un inferno! Y creo que realmente lo es. ¿Te parece poco? Mundo inmundo. ¿Quieres más? Mundo perro. La Tierra es bonita pero el ser humano no. Quien estropea es una plaga. ¡Cosas de locos!


🎬✨ VIDEOPOEMA PUBLICADO EM 2025

Coisa de louco. Capa do videopoema publicado em 20 jul. 2025.

 

 

 

 

 

 

 

 


📚 COISA DE LOUCO / resenha crítica

A lucidez diante do caos: um manifesto poético sobre a condição humana. Concebido em Campinas entre os anos de 1988 e 1989, o poema em prosa “Coisa de louco” emerge como um grito existencial diante da desordem social e moral do mundo contemporâneo. Neste texto, a fronteira entre sanidade e loucura é tensionada: ao questionar “quem são os loucos?”, o autor sugere que a verdadeira insanidade reside na naturalização da violência, da miséria e da destruição que compõem o cenário do que denomina “mundo cão”. A obra transita pela angústia da espera por um acontecimento transformador que nunca chega, culminando na constatação da Terra como um lugar belo corrompido pela “praga” humana. A peça ganhou dimensão internacional com sua tradução para o espanhol (“Cosas de locos”) e publicação na Espanha em 2009, integrando a antologia poética do livro Ver a Cidade. Este videopoema recupera a visceralidade do texto original, reafirmando a literatura como ferramenta de resistência e reflexão crítica.