Tempo para a poesia

Poema concebido em Campinas [SP/BRA] mar./2004

Argollo Ferrão, A. M. de (2004). Tempo para a poesia [web]. Disponível em <http://argollo.org/tri/tri2/tri2-58/>.

ISBN 978-85-908725-0-4 / Publicado em 2008

Argollo, A. (2008). Tempo para a poesia. In A. M. de Argollo Ferrão (Ed.). Vendo, crendo, escrevendo, lendo lendas (p. 61). Campinas [SP/BRA]: O Autor.

Videopoema Publicado em 2024

Argollo, A. [Arquitetura do Café]. (2024, 3 novembro). Tempo para a poesia [Vídeo]. YouTube. https://youtu.be/oG706nM0rmY

Tempo para a poesia
Se você não tem tempo para ler poesia,
Então pára tudo...
Não vale a pena ganhar 20 paus por mês.
Não vale a pena fazer rali.
Bin Laden está mesmo certo:
Vamos explodir isso aí!

Se você não tem tempo para ler poesia,
Então está tudo errado...
De que adianta trabalhar tanto?
Fazer do pranto um canto – comprado?
Nero é que tinha razão:
Bota fogo nessa civilização!

Se você não tem tempo para ler poesia,
Então deixa pra lá...
Perco eu o meu tempo ao querer lhe tocar.
De que adianta mostrar-lhe o céu se é para o chão que você quer olhar?
Bush é quem parece lhe orientar:
Time is money – e paz na Terra a quem puder – comprar...

🎬✨ VIDEOPOEMA PUBLICADO EM 2024

Tempo para a poesia. Capa do videopoema publicado em 3 nov. 2024.

 

 

 

 

 

 

 

 


📚 TEMPO PARA A POESIA / resenha crítica

O poema “Tempo para a poesia” atua como um manifesto crítico incisivo contra a lógica utilitarista do “tempo é dinheiro”. Escrito em 2004, o texto captura o zeitgeist de uma era marcada por conflitos geopolíticos (citando Bush e Bin Laden) e pela aceleração digital, contrapondo a essa frenesi a necessidade vital da pausa lírica. Ao evocar Nero (“bota fogo nessa civilização”), o autor sugere que uma sociedade incapaz de parar para a poesia está condenada à barbárie. A peça alinha-se perfeitamente ao eixo “livre pensar” do projeto, reforçando a identidade humanista da marca Arquitetura do Café. Este videopoema opera como um manifesto crítico contra a aceleração frenética da contemporaneidade e a submissão da existência à lógica do capital. A tese central estabelece um conflito entre a urgência produtiva e a necessidade vital da pausa lírica, utilizando figuras históricas e contemporâneas na condição de metáforas da destruição de uma civilização que abdica da contemplação. No corpo científico do projeto, este conteúdo materializa o livre pensar do autor, demonstrando que a arquitetura da vida exige tempo para a poesia, sob pena de tornarmos o cotidiano um espaço árido e desprovido de sentido humano. É uma peça de resistência estética que convida o espectador à reflexão sistêmica sobre o valor do tempo não-produtivo.