A natureza da poesia

Poema concebido em Campinas [SP/BRA] nov./2006

Argollo Ferrão, A. M. de (2006). A natureza da poesia [web]. Disponível em <http://argollo.org/tri/tri3/tri3-50/>.

ISBN 978-85-908725-0-4 / Publicado em 2008

Argollo, A. (2008). A natureza da poesia. In A. M. de Argollo Ferrão (Ed.). Entre símbolos e a perfeição (pp. 54-55). Campinas [SP/BRA]: O Autor.

vIdeoPOEMA Publicado em 2021

Argollo, A. [Arquitetura do Café]. (2021, 4 abril). A natureza da poesia [Vídeo]. YouTube. https://youtu.be/iijp5cPfGRk

A natureza da poesia
Há momentos em que se permite enxergar com clareza
O contexto que se compõe em fragmentos,
Como num jantar formal posto à mesa
Em que não raro se sente a beleza
Desses essenciais movimentos.

Sentimentos puros embevecidos pela mais pura natureza.

Há momentos, todavia, em que nada se consegue ver
Nem sentir, nem detectar
Muito menos compreender.
É quando se tem a certeza
De que a essência do silêncio é um tanto fria – e obscura...

Puros sentimentos embevecidos pela natureza mais pura.

🎬✨ VIDEOPOEMA PUBLICADO EM 2021

A natureza da poesia. Capa do videopoema publicado em 4 abr. 2021.

 

 

 

 

 

 

 

 


📚 A NATUREZA DA POESIA / resenha crítica

O poema “A Natureza da Poesia” investiga os movimentos oscilatórios da percepção e do fazer artístico. Concebido em Campinas (2006), o texto se estrutura sobre uma antítese poética em que se alternam a clareza analítica e a opacidade existencial. No primeiro momento, o contexto se revela em fragmentos organizados, uma ordenação sutil comparada ao rigor de um jantar formal posta à mesa, em que a beleza emerge do ritmo dos movimentos essenciais. Em contrapartida, irrompe a dimensão da incompreensão, um estado em que nada se consegue detectar e no qual a essência do silêncio se manifesta como uma força fria e obscura. A obra reflete sobre a própria matéria da criação literária, sugerindo que o sentimento puro se depura justamente na capacidade de transitar entre a nitidez do mundo visível e a densidade do indizível.